domingo, 17 de agosto de 2008

Para Joana


Prefiro o silêncio neste momento, mas nem sempre é assim, vivo em busca de algo que me complete (se é que é realmente possível se completar), tenho meus pensamentos vagos e às vezes me firmo nas orações, mas não sei exatamente o que busco porque me sinto em paz.
Será que já lhe falei dos girassóis?
Toda primavera fala-se de recomeçar, reiniciar, mas onde esta meu botão, não sei como se faz e nunca tenho esta certeza sei que meu mundo esta em paz e em silêncio neste momento, mas não me sinto só, talvez um pouco sonolenta.
Quando pensamos nas nossas perdas nos nossos lutos temos a grande impressão que nada ocorreu com a gente mesmo porque parece tão distante, e esta realmente muito longe da dor daquele momento. Já podemos falar e sentir o ar, já é permitido sorrir e até bocejar sem se preocupar se alguém nos observa.
De nossas perdas o que mais nos faz vazios? Seriam as pessoas? Ou os filhos, dos filhos, dos filhos de nossos filhos e suas respostas curativas?
Nada se faz mais intenso do que a vontade de voltar a determinados momentos que tem cheiros característicos e silêncio de saudade.
Não me recordo de você me colocando para dormir, não me recordo de muitas coisas, acho então que elas nem devem ter existido ou existiram somente na minha fantasia e isto me basta.
Mas ainda tenho seu sorriso e seu jeito errado de pronunciar meu nome, sinto por nunca ter lhe dado flores, sinto por não ter ido quando devia ao seu encontro, sinto por não ir agora, sinto por sentir e só sentir.


(por Ivone Fonseca)

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