segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Melancolia


Gosto dos meus textos mais antigos dos
que iniciam minha estória, talvez encontre neles a formula que compõe naturalmente minha self.
Falta-me algo e eu nem imagino o que seja, ando tão limitada de sonhos, tão limitada de anseios, tão limitada de mim.
Não consigo ser natural sem marejar os olhos.
Tenho medo de minhas limitações de minha falta de controle
((des)controle),
sinto-me culpada por ter perdido o jeito, por não ser mais tão inocente, por ter posto fora o que acreditava não me valer.
Sei menos do que deveria saber, e muito mais do que queria saber, sei muito pouco de mim.
Existe um caminho (eu sei), sempre tem, mas ando a tempos neste
deserto de memórias me sinto tão cansada que quando paro pra pensar acho que não vou conseguir, parece tão longe.
Incrível mas teve um tempo em que eu acreditava poder pegar só alongando os braços
e hoje nem meu olhar alcança.
Devo me ajoelhar pedindo misericórdia? Devo clamar para que se apiedem ao menos de minhas cinzas? Ou simplesmente rogar um ingênuo perdão já me bastaria para acalmar a alma?
Não acredito em vagas indulgencias, acredito no caminho inverso,
o que te permite reedificar, refazer, recompor, só assim tem-se a oportunidade de mostrar suas outras faces (as que te qualificam com feições mais leves).
Fatalmente me vejo esculpida num material frágil e sem graça e isto me incomoda por chegar exatamente em um momento em que me vejo afetuada por pessoas das quais não devo nada.
E são estas sensações ambíguas que me trazem uma pessoa muito mais intensa do que sempre julguei ser.
Sinto que falta alguma coisa, onde esta meu lado instintivo e sagaz? Em memórias transcritas num papel através de metáforas? Ou num lugar onde nem eu mesma desejo chegar?


(por Ivone Fonseca)

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