quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Eu tenho um sonho"

As vezes me pergunto se sabemos quem realmente somos, quem realmente construímos em torno daquele frágil bebezinho expedido pelo útero maternal.
Seríamos nós responsáveis por tudo que somos e conquistamos? Por tudo que perdemos ou deixamos para traz?
O fato é que nossos medos são vinculados ás nossas ansiedades, aos sonhos desencontros ou ás nossas perdas.
Somos solitários na estrada que compõe nossas estórias, nelas só existem veios incógnitos e a necessidade de conquistar algo da qual nunca saberemos realmente o que é.
Sei de mim que posso não parecer madura ou totalmente insana, mas tenho qualidades vorazes que me fazem merecer o respeito dos que caminham próximos a mim.
Já não sei mais se meus erros são tão grandes assim, sei que por muitas vezes me condenei e até chorei hoje sou forte o suficiente para entender que era preciso e que tudo tem seu valor.
Sei hoje que existe uma divisão de estradas (ou encruzilhadas) que podem induzir em erros os viajantes, prefiro pensar que isto é comum e o que me difere dos outros talvez seja o fato de que hoje sei mais do que sei ou que deveria saber.
Gostaria de descobrir em mim alguém que foca suas forças em algo que não fosse às relações humanas, já que tudo em volta me parece tão belo e intenso.
As vezes pequenos passeios etéreos pelas veredas da utopia me trazem uma alegria incomensurável e nada mais é preciso para eu me sentir ganhando o ar.
Robert Ordem faz uma afirmação de que eu gosto muito (embora odeie acreditar que talvez faça parte do primeiro grupo), ele diz: “Há dois tipos de pessoas no mundo: os realistas e os sonhadores, Os realistas sabem onde estão indo os sonhadores já estiveram lá”.
O fato é que todos nós necessitamos de sonhos para nos movimentar para algum lugar mas poucos tem a coragem necessária para assumir e vivenciar isto, poucos de nós está desapegado de preconceitos e libertos de si mesmos para alcançar esta tal dádiva divina de só sonhar..
Às vezes penso na frase dita por Martin Luther King pronunciado perante uma multidão num discurso em Washington “Eu tenho um sonho”, e sinto uma inveja voraz.
Para isto, alguns de nós sobrevive a si mesmo e tem o privilégio de se revisitar e até mesmo de se reinventar diante de sua “pseudo” consciência da própria existência.
Penso que a pessoa da qual me transformei é mais cautelosa do que emotiva, é mais sincera do que discreta, menos sonhadora mais realista e talvez por isto mais frágil e amedrontada o que me faz num contexto geral, pouco sonhadora e talvez menos satisfeita.
Gostaria de dizer convictamente diante de uma multidão “Eu tenho um sonho”.

(por Ivone Fonseca)

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