segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sem importãncia

Entre a multidão que contempla o soar triste do violino conduzido por um homem de preto que se imagina sozinho tocando para a lua ela esta.
O sereno que toca seu rosto é gélido e transformam seus pensamentos, ela fecha os olhos e por alguns segundos se deixa levar como numa dança solitária num imenso jardim gelado, não há nada que preencha as lacunas de sua alma, não há mais ninguém ali.
Apoiada no tronco do imponente Ypé ela se percebe minúscula, e a musica longe lhe proporciona um suspiro franzino de alegria, mas nem isto lhe conforta.
Ela percebe um olhar firme que lhe penetra a alma e faz indagações sobre suas verdades e valores e sente que neste momento não fazem muito sentido.
Sem perceber se põe a chorar.
Seria a musica? O sabor incomensurável daquela solidão vazia? Seria suas promessas perdidas ou só uma angustia tímida?
Ela confunde a brisa com as lagrimas que rolam de seus olhos e sente uma vontade imensa de se apagar.
Sua alma congela, seu semblante é frio e distante e os braços que circundam suas pernas a fazem retornar ao útero materno.
Sente um conforto que lhe traz calma por alguns segundos, então percebe que o mundo que conhece é muito estreito porem grande o bastante para retomar.
E assim ela segue até o fim da noite, vazia, solitária (como se estivesse nua), com frio e a vontade insistente de se apagar.
(por ivone fonseca)

4 comentários:

Zeroglota disse...

Conheço um pouco do trabalho de um fotógrafo internacionalmente respeitado.
“Sebastião Salgado”, dos seus trabalhos os que mais me emocionam são os que também são mais tristes, acho que existe um pouco de beleza na dor.
Se pudéssemos diante de tão grande dor ,ter a reflexão de que ela e prova do nosso existir
e portando que tudo pode ainda acontecer, enquanto pudermos dor sentir,
sem masoquismo, só percepção do belo sentir ,que pra quem olha estes trabalhos também
capte este sentimento, e perceba “não “fotografia ou na história” .mas na sensibilidade mostrada
por quem expôs este trabalho e da maneira artística com que o fez!
È sim triste este seu texto, mas como arte é muito bonito como se propõe a exposição deste sentimento,que no momento parece ser o de um nada sentir.
Me desculpe mais achei muito bonito seu “texto”
Mas não te quero triste entende?
Beijos!
E alegria!

Clarinha disse...

Demora..
mas quando vem.. vem que vem né!?
eheheh
imaginei a cena que descreveu... e me veio a memória uma peça de teatro vista na praça Afonso Pena, num fria manhã de domingo, ha alguns anos atrás.

Lembro-me de sensações iguais a essa. Mas por fim, me sentia livre, aliviada depois de duas ou tres lágrimas. A brisa já não me intimidava, e sim, libertava!

aiai... ( suspiros)

beijos doces.
Ah, falei de vc hj! Bem, claro!

Anônimo disse...

Vontade insistente de se apagar. Acho q nunca senti tanto essa vontade qnto ultimamente. Mto bom seu blog. Parabens!

Erick H Benetnasch disse...

Teu estilo é único e ótimo. Parabéns...sensivel, muitoooo

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